Pra você que esteve pelas redondezas de sei lá, Marte, na semana passada, e não está entendendo ainda qual é a desse caos todo que se ocasionou, vou resumir mais ou menos o que houve: na última quinta-feira, dia 07 de abril, Wellington Menezes de 23 anos entrou em uma escola municipal na Zona Oeste do RJ, e abriu fogo contra os estudantes, matando 12 crianças e deixando outras tantas feridas. A Polícia (que de fato, segundo foi constatado, agiu o mais rápido possível) conseguiu conter a ação antes que o número de mortos fosse maior, atingindo o atirador na perna. O mesmo se suicidou, atirando contra a própria cabeça.

É entendido que ele já sabia que ia morrer após terminar a chacina, caso contrário, não teria deixado uma carta.
No momento da cobertura da tragédia, eu estava na fila do banco aguardando pra ser atendido e vendo ao vivo pela TV os fatos. Não entendi muito bem na hora, mas foi coisa que abalou geral, e uma tragédia dessas (apesar de que vai ser esquecida daqui a pouquinho) choca mesmo. Com a mídia em cima e precisando gerar pauta, um assunto vira mil e começa o pandemônio na mídia.
Pra começar, nossa amiga Sônia Abrão, cujo programa é o que mais explora pauta com tragédia nesse Brasil, perdeu as estribeiras no twitter com uma internauta que fez uma piadinha citando o seu programa e pediu respeito. Babaquices a parte dessas emissoras de nível baixo que ela faz parte, até outro dia ela explorava pauta sobre o goleiro Bruno lá naquela espelunca de programa e vem pedir respeito. A produção arruma um jeito de levar psicólogos, advogados, todo o tipo de profissional pra dar um pitaco. Na morte de uma celebridade, lucra a funerária, os filhos lucram com a herança, e é claro, a Sônia Abrão com seu programa.
E sobre os comentários populares: não galera, o que ocasionou o massacre não foi falta de Deus no coração. Não interessa o que disse a senhora no ponto de ônibus ou na fila do banco, ou até mesmo o Datena. O ateísmo não tem nada a ver com insanidade, falta de caráter ou essa sua ilusão de cidadão de bem. Tanto é que na carta, o lunático afirma esperar que “Jesus volte e o acorde do sono da morte”.
Aliás, um recado pra Jesus: se eu for pro céu e o assassino Wellington Menezes também for, eu quero a minha morada longe da dele. Eu posso não valer nada, mas melhor que assassino de criancinhas lunático eu tenho certeza que sou.
Como já é de costume, também no twitter surgiram vários especialistas em segurança pública assim, do nada, dando pitaco. Um grande abraço pro gênio da internet, o Cardoso, que usou o seu (muito visitado, por sinal) twitter pra divulgar em tempo real o que eu já estava vendo pela TV e sem a pertinência de um internauta autor de 11 livros medíocres opinando sobre segurança pública e caos urbano. Aliás, a nova onda do Cardoso é se achar um grande meio de comunicação pra veicular informações durante uma tragédia, visitem o perfil e veja até onde chega a sanidade de uma pessoa.
E de mais a mais, como li em um tweet por aí, surgem os seguintes tipos de pessoas nessas ocasiões: os que fazem a tragédia, os que se revoltam com a tragédia, os que fazem piada, e os que se revoltam com os que fazem piada. E daí se cria um loop: quem faz a piada gosta que se revoltem com elas, e aí continuam. É mais ou menos como tentar apagar o fogo usando gasolina.
Já houveram pais querendo transferir seus filhos da escola atacada para outras escolas da região. Não opino sobre o caso, mas acho que isso me parece meio nonsense e atitude de pai desesperado que não pensa direito (nesse caso, compreensível). Um cara foi lá e meteu tiro nas crianças, e depois se matou, oras. Não quer dizer que vai acontecer de novo. Se usarmos o bom-senso, a conclusão é essa.
E assim como a causa do assassinato não foi a falta de Deus no coração, não é bullying também, como estão pregando por aí. Fui zoado na escola por ser magro e torto, zoei muito também quem dava motivo e, tirando algumas briguinhas no recreio onde os ânimos se alteraram, nunca que a violência chegou ao ponto de eu me ver entrando numa escola e sair dando tiros em toda criança que vejo. A população brasileira tá decadente no sentido de saúde mental e um lunático desse tipo foi só um derrotado a vida inteira por não ser homem o suficiente pra se defender das ofensas que o atingiam. Não vejo qualquer ligação de bullying contra um covarde (em ambos os sentidos: de não saber se defender quando criança e adolescente e de atirar sem motivos em crianças) e uma chacina dessas.
A questão é só uma: o cara era doente mental e o bullying que ele sofrera na infância era pelo seu aspecto escroto. Outra pessoa que sofresse o mesmo tipo de ofensas, porém com saúde mental, esqueceria ou no mínimo se defenderia.
O mesmo exemplo posso dar pela situação que passei ontem: no momento que fui estacionar o carro numa vaga perfeitamente livre (sem impedimentos, ou sequer um cone pra sinalizar), um sujeito que era doente mental bateu com relativa violência contra meu vidro dizendo que a vaga estava reservada para o “Trenzinho da Alegria”. O meu ímpeto de descer e tirar satisfação com o sujeito foi grande, mas aí pensei “vou acabar preso por discutir com um cara que não tem nem noção do que faz ou diz, ou sequer é senhor dos próprios atos.” Típico caso do cara que foi zoado na infância, não foi homem pra se defender e aí cresce achando que tá todo mundo contra ele. Curiosidade, o cara era católico, usava óculos de fundo de garrafa, tinha 1,54 no máximo e usava aquela blusa gola polo do jacarézinho. Eu não precisaria de uma chave de rodas pra fazer um estrago na cara do infeliz mas, na minha mente sã, eu calculo que eu iria preso por isso.
O caso meu povo, foi causado por insanidade mental. Não foi falta de religião (essa que sim, matou demais), não foi bullying, foi insanidade mental. Parem de arrumar desculpinhas pra gerar mídia.